2018 – O ano que teima em não acabar

Ainda bem que temos a TV para nos salvar de todo o mal do mundo…

2018 foi um ano bacana! Foi um ano de marcos e de episódios inesquecíveis. Foi o ano em que me despedi de uma das séries mais importantes da minha vida televisiva (estou bem dramático, aguardem). Foi o ano em que a gente viu ainda mais TV em lugares antes inimagináveis (teve série no YouTube e até no Facebook).

Vou falar dos meus destaques e a lista com as 10 melhores séries do ano tá no final do texto.

Quem me acompanha por aí sabe o quanto eu gostei de The Americans desde o começo. A expectativa para esse ano era grande. Era o final da série. O último episódio. O destino final de Elizabeth (Keri Russell) e Philip (Matthew Rhys). E a série não decepcionou. Denso, melancólico, sombrio, dramático e sóbrio, o final da série acertou no tom, arrancou as melhores atuações dos seus protagonistas e foi digno de um dos melhores dramas da história da TV mundial. Falo mais sobre esse episódio aqui ó.

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Foi o ano também de Donald Glover e suas várias facetas. Fez sucesso com o clipe de This Is America (do seu alter ego musical Childish Gambino) e estreou a segunda temporada da sua série para o FX, Atlanta. A primeira temporada já mostrava que não era uma série qualquer e foi ovacionada em 2016, quando estreou. Em 2018, fez uma segunda temporada ainda mais surpreendente. Com histórias mais ou menos soltas, dando um enfoque maior no seu elenco de apoio e baseada em um tema recorrente (a série ganhou o subtítulo de Robbin’ Season em referência ao período do ano em Atlanta quando acontece o maior número de roubos e assaltos na cidade), a temporada nos deu uma seleção de episódios bizarros, emocionantes e engraçados que tratam de temas forte a partir de situações bocós do cotidiano dos personagens. “Teddy Perkins”, sexto episódio da temporada, deu mais medo que metade dos filmes de terror do ano.

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A grande surpresa do ano veio da BBC America que estreou a melhor série nova do ano. Killing Eve foi, como diz um grande amigo meu, chiquérrima. A série tem Sandra Oh, a eterna Dra. Yang de Grey’s Anatomy, merecendo várias indicações a vários prêmios, e a revelação Jodie Comer em um dos melhores personagens do ano, Villanelle, a assassina fashionista e sem sentimentos. A série viaja pelo mundo, tem humor, tem aquele climinha de espionagem que todos nós curtimos. Corre pra ver, tá na Globoplay.

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A HBO não admite ter sua hegemonia de séries boas roubadas e lançou uma penca de séries esse ano. Algumas, péssimas, como a segunda temporada de Westworld, que foi o melhor sonífero de 2018. Como vocês podem cogitar gostar daquilo? Não consegui passar do quarto episódio. Segunda temporada boa mesmo foi The Deuce. Do criador de The Wire, a segunda temporada trouxe todos os personagens de volta em histórias muito bem escritas (como sempre) e com aquelas reviravoltas a la David Simon que a gente não entende como aconteceu, mas aplaude porque é tudo muito bem feito, muito bem dirigido, muito bem atuado (o que é Maggie Gyllenhaal?). Pena que a próxima temporada vai ser a última (mas, ao mesmo tempo, adoro gente que sabe parar na hora certa).

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Nas séries novas do canal, dois destaques. O primeiro, Barry, trouxe a história do assassino de aluguel que decide largar tudo para ser ator. Com muito humor negro, a série trouxe não só a melhor atuação da vida do Bill Hader, como uma seleção de personagens impagáveis e histórias que você até se sente mal de dar risadas (e foram muitas nessa série). Outro destaque é a adaptação (polêmica) dos romances napolitanos da escritora Elena Ferrante. A Amiga Genial recria com um visual sensacional o primeiro dos quatro volumes que contam a história das amigas Lenu e Lila em uma Nápoles dominada pelo machismo e violência. Tudo funcionou na adaptação: foi fiel ao livro, os atores são ótimos e a trilha sonora é de cair o queixo.

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Outro adaptação literária bacana do canal foi a minissérie Sharp Objects, baseada no livro da autora de Garota Exemplar. Uma série da alto nível com atuações impecáveis da Amy Adams (incrível), Patricia Clarkson e da novata Eliza Scanlen. O final perturbador ainda dá calafrios até hoje.

2018 continuou dominado pelos streamings. A Netflix lançou mais ou menos 2,5 milhões de séries esse ano, mas, de novo, foi preciso peneirar muito para encontrar alguma coisa que valesse o tempo. Teve o fenômeno La Casa de Papel que dominou 95% das conversas sobre TV do ano e virou meme e fantasia de Carnaval. A série prende a gente de uma forma que até dá raiva porque, no final das contas, nem era boa e só fez a gente se enturmar com a galera que pirou.

A surpresa do ano, para mim, foi A Maldição da Residência Hill. Pensa comigo, leitor, uma série de terror da Netflix não tinha a menor possibilidade de ser boa, não é?! Engano nosso. Uma mistura de drama familiar com casa mal assombrada, a série teve personagens cativantes, fantasmas escondidos e alguns sustos. Valeu. Mas o que valeu mesmo foi a quinta temporada de BoJack Horseman, a melhor série da história da Netflix. Ela continuou engraçada e triste ao mesmo tempo dando até mais espaço para os ótimos coadjuvantes e fazendo a melhor crítica sobre a sociedade atual. Temas pesados tratados com muita ironia, tudo isso em forma de desenho animado com animais falantes. Genial, né?!

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Ótima também foi a segunda temporada de American Vandal. A série continuou fazendo paródia dos documentários criminais que povoam a Netflix e fez, de novo, o melhor retrato do adolescente americano, tratando, com muito bom humor, dos dramas e bobagens dessa geração.

Os outros serviços de streaming não ficaram para trás e lançaram muita coisa boa esse ano. A Amazon Prime foi destaque. Primeiro, com Homecoming, mais conhecida como a série da Julia Roberts. Baseado em um podcast, a série tem o apuro visual do criador de Mr. Robot, uma trama que te prende até o fim e uma das cenas mais legais do ano. Além, é claro, das atuações competentes da Julia Roberts e da Sissy Spacek. A história é sobre uma assistente social que ajuda soldados recém-chegados da guerra a se readaptarem à vida comum. Só que a série viaja no tempo e mostra a mesma funcionária sendo garçonete em uma espelunca, tendo que lidar com um agente do governo que quer saber que fim levou a empresa em que ela trabalhava. Só que ela não sabe de nada. Tchanan!!!

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A segunda temporada de The Marvelous Mrs. Maisel continua a trajetória de primor da primeira temporada. A série continua ágil nos diálogos, com personagens ótimos e uma das melhores direções do ano. Os episódios em Catskills são das melhores coisas da produção audiovisual do ano. Acabou de estrear.

A CBS ainda tenta vingar seu serviço de streaming, mas só conseguiu destaque porque lançou a ótima segunda temporada de The Good Fight. A série derivada de The Good Wife trouxe esse ano uma crítica ainda mais ferrenha ao governo Trump e a esse caótico mundo polarizado em que vivemos. Superou a temporada anterior e é uma delícia de ver.

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Better Call Saul chegou a sua quarta temporada ainda melhor. Finalmente, chegamos à criação da persona de Saul Goodman e tudo de moralmente decrépito que o personagem tem. Mas a melhor coisa da temporada foi, sem dúvida, a relação do Jimmy com a Kim e o destaque da atuação dos dois atores. Que série legal, amigos! Além de tudo, a edição impecável está lá e a história cada vez mais se aproximando dos acontecimentos de Breaking Bad, série de que é derivada.

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Ryan Murphy cometeu duas séries esse ano. (…) Não, maldade minha. As série foram destaque e muita gente gostou muito. Eu ainda acho que é muita pompa pra pouca coisa. Teve a segunda temporada do sucesso American Crime Story. Depois, da excepcional reconstrução do julgamento de OJ Simpson há dois anos, dessa vez, ele disseca a história do assassino de Giani Versace. Vejam bem, a série não é ruim, tem atuações competentes, mas ficou faltando alguma coisa e The Assassination of Giani Versace: American Crime Story acabou dividindo opiniões e deixando muita gente irritada porque queria saber mais sobre o assassinato e não sobre o assassino em si. A outra série dele que teve destaque esse ano foi Pose. Comecei a ver e achei muito bem feita mesmo, mas não sou capaz de opinar ainda.

A TV aberta continua capengando nos EUA. Só três séries são dignas de destaque. A primeira é The Good Place que chegou na sua terceira temporada esse ano. Vamos combinar que a série já foi melhor, mas continua sendo um programão. O último episódio do ano foi ótimo e tirou um pouco a má impressão de que a série já tá caminhando para lugar nenhum. No entanto, encerrou a segunda temporada com chave de ouro e merece ainda a atenção de todos nós. Outra comédia que eu adoro e que quase acabou em 2018 foi Brooklyn Nine-Nine. A NBC salvou na última hora e, ainda bem, teremos mais uma temporada em 2019. São poucas as comédias americanas que ainda fazem a gente rir de gargalhar e essa é uma delas. O elenco é afiadíssimo e as sequências de abertura dos episódios são pequenas obras primas da comédia. Outra série que ainda me faz gargalhar é a animação Bob’s Burgers que chegou esse ano a sua nona temporada na sua melhor forma.

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Então é isso, tchau 2018 e vamos pegar fôlego para 2019. Ano que vem tem o final de Game of Thrones para dominar as conversas sobre TV durante uns meses aí. Mas tem muita coisa boa vindo e espero do fundo do meu coração que seja um ano empolgante para nós fãs de séries.

AS 10 MELHORES SÉRIES DE 2018:

10- BARRY (HBO)

9- THE MARVELOUS MRS. MAISEL (Amazon Prime)

8- A AMIGA GENIAL (HBO)

7- THE GOOD FIGHT (CBS All Access e Amazon Prime Brasil)

6- BETTER CALL SAUL (AMC e Netflix Brasil)

5- BOJACK HORSEMAN (Netflix)

4- THE DEUCE (HBO)

3- KILLING EVE (BBC America e GloboPlay Brasil)

2- ATLANTA (FX e Fox Premium Brasil)

1- THE AMERICANS (FX e Fox Premium Brasil)

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